Blog do Carioca - Alexandre Ribeiro
   DIPROMA

 

JORNALISMO REQUER APTIDÃO, TALENTO E ALGUMA TÉCNICA, QUE SE APRENDE EM DOIS MESES; EXIGÊNCIA DE DIPLOMA FERE O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO, O MAIS IMPORTANTE DELES

Ah, o odor nauseabundo que emana do corporativismo bocó, mas muito eficaz em manter os próprios aparelhos e privilégios. No post abaixo, vocês lêem que uma comissão especial da Câmara aprovou a obrigatoriedade do diploma para jornalista. A proposta é inconstitucional. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murilo, afirma que algumas pessoas que pediram registro de jornalista nunca pisaram numa redação. É mesmo? Se for assim, então elas já podem disputar a direção da Fenaj. Afinal, a maioria dos dirigentes sindicais não saberia a diferença entre um lead e uma touceira, não é mesmo?

À diferença do que sustentam alguns energúmenos, sou jornalista “depromado”. Até hoje, não há uma miserável coisa que eu tenha feito na minha profissão — e não posso reclamar da minha escolha — que me tenha sido dada ou ensinada pelo curso de jornalismo: NADA! ZERO! Já o curso de Letras, penso eu, foi essencial para mim — como é o de medicina, arquitetura, direito, culinária etc para outros jornalistas. Sempre destacando que há os que não cursaram coisa nenhuma e fazem um trabalho brilhante.

Jornalismo requer duas coisas, além de formação intelectual — que os cursos de jornalismo não fornecem porque passam boa parte do tempo ocupados em “desconstruir” os grandes veículos onde a meninada vai trabalhar depois… Jornalismo requer talento para a narrativa — mesmo a narrativa jornalística tem de ter noção de enredo — e um conjunto de procedimentos técnicos, alguns deles ligados à ética da profissão. É precisa de algo parecido com intuição, mas que é só questão de inteligência: saber onde está a notícia. Vale dizer: cedo ou tarde, um jornalista tem de ler A Cartuxa de Parma, de Stendhal — ou vai acabar tratando um evento histórico como buraco de rua. Quem ensina isso? A faculdade de jornalismo???

Talento, lamento!, não se ensina. No máximo, ele pode ser lapidado. Nem todo mundo tem aptidão para a pintura, a música ou a dança. Com o texto, é a mesma coisa. Há gente que não nasceu para viver da escrita — e um jornalista tem de saber escrever, o que a faculdade não ensina. A lapidação se dá no exercício. O que as faculdades têm feito, aí sim, é distorcer a profissão. As faculdades de jornalismo, com raras exceções, se transformaram  em extensões do “partido”. Professores se dedicam mais a falar do “outro mundo possível” do que a ensinar como se faz um lead neste nosso muindinho imperfeito mesmo.

Qual, afinal, é o objeto de um curso de jornalismo? Economia? Política? Sociologia? Semiótica? O quê? Resposta: um pouco de tudo isso e nada disso, mas com muitas virgulas entre sujeito e predicado… Se a exigência do diploma já era, do ponto de vista democrático, estúpida, agora se tornou incompatível também com as modernas tecnologias a serviço da informação. Quem poderá impedir, sem violentar a Constituição, um veículo jornalístico de abrigar, por exemplo, um blogueiro que tenha o que dizer, seja ele jornalista “depromado” ou não? Vão plantar batatas para colher Imposto Sindical!!!

Que a Fenaj defenda essa excrescência, eis uma coisa que faz sentido. A entidade lutou arduamente pela criação do Conselho Federal de Jornalismo, que era um verdadeiro órgão de censura. Poderia até, imaginem!, cassar a licença de um jornalista. E se apresentou, espertos os caras!, para compor a primeira diretoria do órgão… O amor dessa gente pela profissão me comove. Contenho aqui uma furtiva lágrima…

Inconstitucional
Só para lembrar: o STF derrubou a exigência do diploma porque ele foi considerado incompatível com o princípio da liberdade de expressão assegurado pela Carta. No caso, tratava-se de uma lei que afrontava o dispositivo constitucional; agora, é uma emenda.

E a proposta não deixa de ser inconstitucional porque emenda — afinal, o Artigo 5º da Carta continua lá, a saber:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
(…)
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Com alguma ironia, observo que, freqüentemente, tenho dúvidas se o jornalismo é mesmo uma “atividade intelectual”, mas tenho a certeza de que é uma “atividade de comunicação”. E não depende de “censura ou LICENÇA”.

Fim de papo.

*PS - Se a Constituição, agora, vai abrigar regulamentação de profissão, por que só jornalismo? E as outras? O Ministério do Trabalho tem um código específico até para a prostituição, destacando os, digamos, requisitos para tal atividade. Imagino a questão tratada naquele que deve ser o nosso documento com sentido de permanência, naquela linguagem decorosa do legalismo: “O exercício das atividades intrafemurais obedece aos princípios do… Sei lá: “do contratante da mão-de-obra”? A boçalidade brasileira é ainda mais extensa do que suas praias…

 

Por Reinaldo Azevedo


Escrito por Alexandre Ribeiro (O Carioca) às 23h10
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   APELO DO WANDERLEY GARCIA

Olha, não tive muitas oportunidades para elogiar o diretor da rádio Antena 102, Wanderley Garcia, mas desta vez é impossível não comungar com suas palavras. O comentário que ele fez hoje no Antena Ligada, jornalístico da sua rádio, foi simplesmente perfeito. Não tenho como reproduzi-lo inteiramente aqui e acho que deve estar no site da emissora. Se não está deveria estar. Mas vou transcrever o trecho inicial e algumas pequenas partes que considero mais interessantes.

Em suma, ele repetiu o que eu disse por meses no Blog e em conversas pessoais: é preciso que mais pessoas deixem a omissão do lugar cômodo que ocupam e manifestem suas opiniões. Principalmente, aqueles se dizem líderes da comunidade e, em especial, os JORNALISTAS e homens de comunicação. Principalmente eles, que parecem absurdamente desinteressados dos problemas da cidade! Suspeito que esse suspeito desinteresse seja causado por três fatores a depender do caso: incompetência, covardia ou interesses comerciais/políticos. Em alguns casos a causa é a associação dos três.

Mas eu acrescento a essa relação os políticos, em cargos ou não, o ministério público, os jovens e os religiosos. Sem contar as pessoas comuns, eleitores como todos nós.

Wanderley começou o comentário da seguinte forma:

“Aos 68 anos de idade e 50 de rádio em Jales, confesso que vou me cansando de ter que criticar fatos envolvendo a cidade, especialmente no que compete à administração municipal. Gostaria mesmo que outras pessoas tivessem esse espírito de observar e se manifestar, pois a crítica é saudável, ajuda a construir o progresso de uma cidade. Como ninguém se apresenta, vamos mais uma vez fazer o papel de advogado do diabo e, quem sabe, arrumar mais alguns inimigos, como sempre ocorre. Afinal, alguém tem que falar e o jornalista tem essa obrigação.”

Em outro trecho, Wanderley disse sobre o pouco atuante Fórum da Cidadania:

“Falei com pessoas pertencentes ao Fórum da Cidadania, da importância de ampliar esse grupo com pessoas de vários seguimentos e atuar com rigor, ajudando sim, voluntário sim, mas com poder de crítica, usando nossa imprensa sempre aberta ao interesses do povo, buscando corrigir falhas e dar conhecimento público quando não atendidos especialmente no que se refere às nossas praças e ruas. Usar esse órgão formador de opinião com voluntários que querem o bem da cidade e até dividir com eles algumas atitudes antipáticas que tenha que tomar visando uma melhora no visual da cidade em elaboração de projetos, pois como sabemos, esta administração carece de projetos.”.

Muito bem, Dr. Wanderley. Mas perfeito mesmo seria se a rádio que o senhor administra assimilasse o que o senhor diz. Depois do editorial, continuei ouvindo o Antena Ligada e me deu a impressão que tinha mudado de rádio.A contundência indispensável de suas palavras não se repetia no restante do programa. Poucos foram os questionamentos ao chefe de gabinete do prefeito que estava lá ao vivo. Faltou contestação ao que ele disse. Por exemplo, quando afirmou que parte do descontentamento com a revitalização do centro era questão de “gosto pessoal”. Ou que as críticas do presidente da ACE eram porquê a reforma não atendeu aos “interesses” da entidade.

Faltou alguém dizer ali, “na lata dele”, que o “gosto pessoal” (provavelmente se referia ao seu) pode ser traduzido como “Plano Diretor” ou “Código de Posturas” desrespeitado autoritariamente pela administração que ele defende. Também faltou alguém pra dizer que os “interesses” da ACE são os dos empresários que ela representa. Ou ainda que os interesses da ACE foram acordados em reuniões do fajuto Orçamento Participativo, realizadas, aliás, quando ele nem estava na cidade.

Infelizmente, parece que Wanderley não consegue realizar na rádio de sua propriedade o que pede as outros.Seria esplêndido que conseguisse.
Para finalizar, Wanderley disparou o seguinte torpedo:

“Com a palavra o Fórum da Cidadania, que, ao nosso ver, deve ser um grande órgão de defesa dos interesses da população. A bem da verdade, já realiza um bom trabalho, mas precisa ser mais contundente do que foi até hoje e, quem sabe, o prefeito de Jales resolva dialogar e valorizar a quem quer o bem desta cidade e aprenda a dizer uma palavra mágica que a maioria usa: muito obrigado”. 



Escrito por Alexandre Ribeiro (O Carioca) às 17h40
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